Marianne Peretti: Assimetria, leveza e liberdade

Marianne Peretti: Assimetria, leveza e liberdade

Conheça a trajetória da artista em Brasília.

Marianne Peretti foi a única mulher na equipe de Oscar Niemeyer durante a construção de Brasília. A franco-pernambucana é a vitralista mais importante do Brasil.

Marie Anne Antoinette Hélène Peretti, conhecida como Marianne Peretti, nasceu em Paris no dia 13 de dezembro de 1927. Filha de pernambucano, a artista plástica, hoje, com 91 anos, vive no estado natal de seu pai.

Marianne cresceu e estudou em Paris. Ainda jovem, foi expulsa do Lycée Molière e do Lycée Victor Duruy por fugir da escola para pintar. Aos 15 anos, Peretti estudou desenho e pintura na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs. Mais tarde, mudou-se para Montparnasse, onde foi aluna de Édouard Goerg, pintor francês do movimento expressionista, e do pintor François Desnoyer, na Académie de La Grand Chaumière.

A primeira obra de sua carreira foi o vitral da Escola de Eletricidade de Paris. Com 29 anos de idade, a artista veio morar no Brasil. E, aqui, deixou sua marca em diversos lugares, como Pernambuco, Ceará e Bahia. Participou também da 5º Bienal em São Paulo, na qual ganhou o prêmio de melhor capa pelo livro “As Palavras”, do filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Peretti realizou exposições individuais e coletivas em Paris, São Paulo, Olinda e Rio de Janeiro. E, com a construção de Brasília em 1960, foi convidada por Oscar Niemeyer para integrar a equipe, sendo a única mulher presente.

Em Brasília, Marianne Peretti fez esculturas e vitrais bastante conhecidos em edifícios públicos. Assim, a artista se tornou a vitralista mais importante do país. Suas obras fazem parte dos principais cartões-postais da capital. E, na capital, os trabalhos podem ser encontradas em diversos locais.

O documentário “Uma Mulher e uma Cidade”, dirigido por André Farkatt, Camerino Neto e Tactiana Braga, foi produzido para homenagear os 90 anos da artista. “Uma forma singular de ver Brasília, pelo universo que une o concreto e a leveza”, segundo a Câmara Legislativa, que fez a homenagem junto ao Governo do Estado de Pernambuco, a Assembléia Legislativa de Pernambuco e a B52 Cultural para o aniversário de Marianne Peretti.


Veja a lista abaixo com alguns dos trabalhos da artista:

CATEDRAL DE BRASÍLIA

Segundo Véronique David, pesquisadora especializada em vitrais, o trabalho de Peretti na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida é uma obra prima da arte vitral do século XX. A Catedral foi inaugurada em 31 de maio de 1970 e, ainda, fez do arquiteto Oscar Niemeyer ganhador do prêmio Pritzker, em 1988 – considerado premiação máxima da arquitetura.


TEATRO NACIONAL CLÁUDIO SANTORO

Logo na entrada do Teatro Nacional, o pássaro de bronze representa, assim como em toda a sua trajetória, a liberdade. E mesmo com seus 800 kg, Peretti transmite toda a leveza com seus traços na escultura.   


PALÁCIO DO JABURU

Fonte: Flickr

A residência oficial do vice-presidente da República recebeu a 1º obra feita por Marianne Peretti em Brasília. Na sala de estar, o painel escultural vitral apresenta as características marcantes da artistas – traços e relevos, que trazem movimento e leveza às composições.

Além disso, a sobreposição de várias camadas de vidro surpreendem até mesmo a artista, que fala sobre a “escultura transparente” no documentário “Uma Mulher e uma Cidade”.


SENADO FEDERAL

A obra “Alumbramento”, termo que significa “o engano da mente” ou “o sopro criador”, da mesma maneira que seus outros trabalhos, transmite os anseios pela liberdade. Até 1992, o painel ocupava o foyer do auditório Petrônio Portella. Depois, foi desmontado. Por fim, em novembro de 2016, a obra foi restaurada e instalada no Salão Nobre do Senado.


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

A fachada do Superior Tribunal de Justiça também tem a assinatura da artista – assim como a Mão de Deus, escultura presente no plenário do Tribunal. No caso da fachada, a artista não utilizou vitrais, e sim, colunas.

Bem como o pássaro de bronze, as colunas do STJ trazem suavidade. O concreto que traz à mente rigidez, colunas pesadas e distâncias milimetricamente iguais, são construídos por Peretti com assimetria, carregando movimento às colunas.

No livro “A Ousadia da Invenção”, a artista descreve: “É uma poesia. Aqui o traço é livre. O vidro que adotamos está integrado às colunas da fachada, fazendo o jogo do claro e escuro. De dia, entra a luminosidade através deles; e, à noite, eles ficam escuros, e o concreto é que fica iluminado pela luz da parte interna, em contraposição ao efeito que a obra confere na parte externa. Uma obra que muda com o passar do dia, sempre conferindo leveza e elegância, tanto no ambiente interno como externamente”.

Assim, chegando no plenário do tribunal, a Mão de Deus mostra toda a sua grandiosidade. A escultura possui 6,80 metros de altura e feita com ferro pintado de branco e vitral alemão azul. Na obra, é possível ver a Mão Divina aberta, o olho vigilante e formas de pássaro – e quantas outras imagens o espectador puder enxergar.

A artista comenta sobre a inspiração: “Vem de cima, só pode ser isso. Pura inspiração, iluminação”. Assim como o projeto do STJ, as criações de Peretti e outros artistas vieram da imediatez durante a construção da capital, sendo a última meta (ou meta-síntese) do Plano de Juscelino Kubitschek: 50 anos em 5.

“Era tudo de repente e tudo muito rápido, porque a cidade estava sendo inventada e tínhamos de nos adaptar a esse ritmo, de fazer o melhor em pouco tempo”. – Marianne Peretti

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