A Comissária: conheça a história dos corretores Isabel e Oswaldo

A Comissária: conheça a história dos corretores Isabel e Oswaldo

A vida de Isabel e Oswaldo Parente foi marcada por vários desafios ao longo dos anos. E a energia do casal de corretores de imóveis também marcou a história de Brasília. Hoje, o Portal DF Imóveis traz para você a história da família Pullen Parente, pioneira no mercado imobiliário da capital.

Isabel Parente. Foto: Roberto Castello

Isabel Francisco Pullen Parente, filha única de Hugh Edgar Pullen, capitão do Botafogo, nasceu no Rio de Janeiro. Desde cedo, a menina mostrava sua personalidade. O seu avô, por exemplo, dava dinheiro para ela economizar e, mais tarde, comprar um colar de pérolas. Mas Isabel fez diferente: comprou um Chevrolet sedan verde musgo.

Com o conservadorismo da época, principalmente do namorado, Oswaldo Parente, a jovem escondeu o carro durante seis meses. Afinal, aquilo poderia significar liberalismo demais para ele. Assim, Isabel levou dez anos para voltar a dirigir o carro.

Quando começaram a namorar, Oswaldo ainda não tinha concluído os estudos. No entanto, trabalhava com um dos mais importantes corretores do Rio de Janeiro, seu irmão Milton Ferreira de Carvalho, o primeiro corretor da então capital do país.

O trabalho serviu como uma grande escola para Oswaldo, era uma espécie de MBA, que lhe permitia pedir a namorada em casamento. No entanto, eles teriam que esperar por cerca de três anos para isso. Mas não foi necessário esperar tanto.

Os negócios fluíram rapidamente. Assim, Isabel e Oswaldo assumiram o compromisso e se casaram. O casal teve onze filhos. E junto à grande família, a trajetória dos Parente sempre foi carregada de trabalho e emoção.

Chegada em Brasília

No final dos anos 50, diversos investidores empregavam capital na empresa da família, que possuía crédito nos bancos. Oswaldo comprava terrenos, loteava e revendia junto com um financiamento da Caixa Econômica Federal. 

Perto das eleições que levariam à vitória de Jânio Quadros, o Presidente Juscelino Kubitschek suspendeu o financiamento de Bancos Públicos Federais. Com vários terrenos, o grupo se viu obrigado a fazer financiamentos diretos.

As pressões geradas pelas dívidas afastaram Oswaldo do mercado por dois anos, por conta de uma isquemia do miocárdio. Com isso, Isabel não teve dúvidas e foi trabalhar na imobiliária para salvar os negócios da família. Um desafio no qual ela estava preparada, disposta a aprender os segredos do ramo.

“Ouvi muita coisa, vivi muita coisa, mas não podia deixar a imobiliária morrer”.

Tudo foi se organizando com o tempo. Mas a grande oportunidade veio com o convite de Ari Franco, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, convidou Oswaldo para assessorá-lo em Brasília.

Em 1962, Oswaldo muda-se para Brasília. E, um mês depois, Isabel vai à capital para visitar o marido. Ela conta sobre a primeira impressão que teve dos prédios: “eram muito brancos, pareciam lindos mausoléus com almas penadas vagando ao seu derredor…”.

Percebendo que todos já estavam acostumados com a separação do casal, Isabel decide mudar-se para a capital com os filhos. Um sobrinho de Ari Franco emprestou um apartamento na 104 Sul para a família. Dois quartos, um casal e nove crianças. Os dois mais velhos ficaram estudando no Rio de Janeiro.

Crise política no Brasil

Os Pullen Parente acreditavam em seu projeto e, ao mesmo tempo, apostaram também no futuro de Brasília. No entanto, o cenário político era sempre uma incógnita. Além da polarização gerada pela Guerra Fria, os militares estavam trabalhando contra João Goulart.

Com isso, várias pessoas que tinham comprado terrenos da Novacap durante a campanha da cidade feita por JK, passaram a dar o investimento por perdido. Assim, o retorno da capital para o Rio de Janeiro era um risco real. 

Mas os Pullen fizeram como os chineses: a palavra “crise” em chinês é desenhada com a soma dos ideogramas que significam perigo e oportunidade. 

A recém-criada imobiliária “A Comissária” ia para o Rio de Janeiro. Eles ficavam cerca de quinze dias anunciando nos jornais que compravam terrenos em Brasília. Em média, faziam dois negócios por dia. E, com o tempo, apareceram outros negócios, como o título de capitalização da Cibrasil. Assim, Isabel se tornou operadora da Cibrasil na cidade.

No ano de 1968, “A Comissária”, já tinha dois corretores de gabarito e mais de cem apartamentos alugados em carteira – número impressionante considerando que poucas coisas estavam construídas até então.

Mais tarde, um parlamentar piauiense sugeriu a ampliação da empresa, colocando mais sócios, mais capital, para torná-la uma S/A. O novo contrato, então, foi assinado em julho de 1968. 

Com isso, veio a sugestão de que Isabel não precisava mais trabalhar. Mas para quem já havia experimentado a vida agitada dos negócios, a experiência não foi boa. Porém não demorou muito.

Ainda no final daquele ano, o mercado reagiu à crise política com estagnação. Ninguém fechava negócios, e os boatos sobre o futuro de Brasília voltaram.

Os Pullen Parente livraram-se dos sócios e foram à luta mais uma vez. Tiveram até bens penhorados. Mas, aos poucos, resgataram as promissórias em nome da “A Comissária”, pagando as contas.

Em 1973, venderam a empresa e montaram a CNB Imobiliária. Com isso, estavam de volta ao mercado. Oswaldo passou a representar também o Café Cacique. Ele vendia bem. Isabel renovou a carteira de motorista, de grande ajuda na carreira de corretora.

E, assim, os Pullen Parente construíram uma bela família – com seus 11 filhos, 45 netos e 35 bisnetos e, claro, seu legado no mercado imobiliário de Brasília.

Referência:

  • Corretores de JK

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