• 29 de janeiro de 2026
  • Last Update 21 de janeiro de 2026

Escritura, registro e matrícula: qual a diferença e por que isso importa na compra de um imóvel

Entenda o papel de cada documento, evite riscos jurídicos e saiba por que escritura, registro e matrícula fazem toda a diferença na segurança do seu imóvel.

Três termos que parecem iguais, mas não são

Na hora de comprar um imóvel, é comum ouvir termos como escritura, registro e matrícula sendo usados quase como sinônimos. Na prática, eles representam etapas diferentes — e igualmente importantes — da formalização da propriedade.

Não entender essa diferença causa diversos problemas imobiliários no Brasil: imóveis pagos, mas não registrados; contratos válidos, mas sem efeito contra terceiros; propriedades sem matrícula individualizada, o que inviabiliza financiamento e revenda.

Neste post, explicamos de forma clara o que é cada um desses documentos, como eles se relacionam e por que fazem tanta diferença para quem compra, vende ou investe em imóveis.

O que é a escritura de um imóvel

A escritura pública é o documento que formaliza a negociação entre comprador e vendedor. Ela é lavrada em um Cartório de Notas e registra a vontade das partes de transferir o imóvel, com informações como:

  • identificação do comprador e do vendedor;
  • descrição do imóvel;
  • valor da negociação;
  • forma de pagamento;
  • eventuais cláusulas específicas.

A escritura é, portanto, o contrato formal da compra e venda.

Atenção a um ponto importante: Ter escritura não significa ser proprietário do imóvel. A escritura apenas comprova que houve um acordo válido entre as partes.

O que é o registro do imóvel

O registro é o ato que transforma a escritura em direito de propriedade. Ele é feito no Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição onde o imóvel está localizado.

Somente após o registro é que a transferência da propriedade passa a valer legalmente perante terceiros. É o que determina o Código Civil brasileiro:

“Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.”

(art. 1.245 do Código Civil)

Isso significa que:

  • quem registra primeiro é considerado o proprietário;
  • sem registro, o imóvel continua pertencendo ao antigo dono;
  • o registro é indispensável para financiamento, venda futura e segurança jurídica.

O que é a matrícula do imóvel

A matrícula é o “histórico oficial” do imóvel. Cada imóvel regular possui uma matrícula única no Cartório de Registro de Imóveis, onde constam:

  • localização e descrição detalhada;
  • tamanho do terreno ou unidade;
  • proprietários atuais e anteriores;
  • registros de compra e venda;
  • ônus, como hipoteca, penhora ou usufruto.

A matrícula funciona como a certidão de nascimento do imóvel. Tudo o que acontece juridicamente com ele deve constar ali.

Sem matrícula individualizada:

  • o imóvel não pode ser financiado;
  • a venda se torna mais arriscada;
  • o comprador não tem proteção jurídica completa.

Diferença entre escritura, registro e matrícula (resumo prático)

Para facilitar, pense assim:

  • Escritura: formaliza o acordo entre comprador e vendedor.
  • Registro: efetiva a transferência da propriedade.
  • Matrícula: é o histórico oficial e permanente do imóvel.

Ou seja:

  • A escritura é o começo do processo.
  • O registro é o que garante a propriedade.
  • A matrícula é onde tudo fica documentado.

Por que essa diferença importa na prática

O avanço da regularização fundiária traz efeitos concretos para o mercado imobiliário:

  1. Segurança jurídica

Sem registro, o comprador corre o risco de perder o imóvel em disputas judiciais ou em caso de dívidas do antigo proprietário.

  1. Financiamento imobiliário

Bancos só concedem financiamento para imóveis com matrícula regular e registro atualizado.

  1. Revenda do Imóvel

Um imóvel sem registro ou com pendências na matrícula tende a ter menor liquidez e mais dificuldade de venda.

  1. Regularização e valorização

Imóveis com documentação completa costumam ser mais valorizados e atraem mais compradores, justamente pela segurança que oferecem.

Situações comuns que exigem atenção

Alguns cenários são mais frequentes do que parecem:

  • imóvel com contrato particular, mas sem escritura;
  • escritura lavrada, mas nunca registrada;
  • imóvel em área em processo de regularização, ainda sem matrícula individual;
  • divergências entre o imóvel físico e a descrição na matrícula.

Nesses casos, é essencial verificar a documentação antes de fechar negócio e buscar orientação adequada.

Como verificar a situação de um imóvel

Antes de comprar, o ideal é:

  • solicitar a certidão atualizada da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis;
  • conferir quem é o proprietário registrado;
  • verificar se existem ônus ou restrições;
  • confirmar se escritura e registro estão alinhados.

Esses cuidados simples evitam problemas futuros e tornam a compra mais segura.

O papel da informação na escolha do imóvel

Entender a diferença entre escritura, registro e matrícula ajuda o comprador a fazer perguntas certas, comparar imóveis com mais critério e evitar decisões baseadas apenas em preço ou aparência.

Em um mercado com muitas opções e diferentes níveis de regularização, informação clara é um diferencial decisivo.

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Além disso, conteúdos informativos como este ajudam a traduzir termos técnicos e a preparar o comprador para uma decisão mais consciente, reduzindo riscos e aumentando a segurança jurídica da negociação.

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